ÍDOLOS COM PÉS DE BARRO – IDOLATRIA E A SÍNDROME DE ESTOCOLMO

Posted on 19 de outubro de 2022

Um ídolo em sua essência é um objeto de adoração que representa materialmente uma entidade espiritual ou divina, e a ele são associados os poderes sobrenaturais, que permitem contatos com os mortais do outro lado do mundo e a idolatria é a prática de adoração de ídolos.

O termo “ídolo” expandiu-se da esfera divina para a esfera humana, a fim de nomear aqueles que realizam o nosso desejo, em vez de nós próprios, sem que tenhamos de despender energia, atenção e conhecimento para alcançarmos um objetivo. Esse ídolo, muitas vezes, traduz-se pela visão da nossa figura vigorosa de outrora, transformando-se num mito íntimo, símbolo máximo de força vencedora de qualquer circunstância ou situação. A prática de idolatria é que banaliza o ídolo.

O ato de venerar representa o culto prestado aos santos, bem como às imagens e relíquias que os representam. A veneração se completa quando faz referência a algo de caráter divino, entretanto, fora do âmbito religioso também existe a prática de venerar e honrar personalidades.

A idolatria e a veneração, contudo, há muito perpassaram os limites religiosos e adentraram o âmbito político e social – não apenas no Brasil, mas no mundo como um todo. É claro que a ideologia, a crença em uma ideia ou doutrina é algo inerente às práticas políticas, mas transformá-la em idolatria, não apenas permite o apogeu de homens comuns, suscetíveis a erros e acertos, a poderes inigualáveis, como também mina toda e qualquer possibilidade de diálogo e criação de uma ágora pública entre os mais extremos espectros do plano político.

Vamos refletir: A idolatria ainda que tratada em um grau de fanatismo político, por muitas vezes, pode soar como um motivo de piada, é preciso relembrar cases como o insolúvel caso de desumanismo na Coreia do Norte, que chega ao nível do canibalismo; a morta política venezuelana; o povo cubano vivendo enclausurado em seu próprio território há mais de seis décadas; o conflito enigmático e profundamente controverso em que se encontram a Síria e o Oriente médio, entre tantos outros, que denunciam os perigos desse tipo de comportamento.

É patente ver o tratamento que a população está dispensando atualmente aos assuntos políticos. A idolatria e a veneração não podem pautar esta discussão sob a perspectiva ilusória de que devemos alcançar a tão sonhada imparcialidade. Não, todos possuem políticos e visões preferidas. Concordando mais com uns do que com outros, mas nunca idolatrando ou prestando culto aos seus nomes, e sim colocando, a velha e boa recomendação de Russell Kirk sempre a frente de nossos debates: a prudência.

A literatura também nos ensina que os ativismos, quando cegos demais, alienam… George Orwell não escreveu 1984 entre lágrimas por um motivo tolo. Alexandre Soljnistein, ao escrever Arquipélago Gulag na intenção de retratar o que as políticas de massa causam, não arriscou sua vida à toa. Eles o fizeram justamente para mostrar onde findam as idolatrias a governos e ideologias. Eles o fizeram para mostrar que a sociedade está, cada vez mais, presa à lógica da famosa “Síndrome de Estocolmo,” muito graças aos comportamentos aqui discutidos.

Trata-se de um estado psicológico em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo amor ou amizade perante o seu agressor. Essa síndrome recebe seu nome em referência ao famoso assalto de Norrmalmstorg do Kreditbanken em Norrmalmstorg, Estocolmo, ocorrido em 1973. Nesse acontecimento, as vítimas continuavam a defender seus raptores mesmo depois dos seis dias de prisão física terem terminado. Essa postura soa familiar? Não é chegada a hora, em plena Era da Informação, de nos libertarmos das armadilhas dos políticos profissionais?

Devemos exigir políticas públicas de qualidade que atendam realmente aos interesses dos eleitores, da maioria da população – sem nos intimidarmos com a força do poder que eles pensam que possuem. Se agirem de maneira corrupta, não podemos dar de bom grado o nosso voto como vem ocorrendo no Brasil, criando um cenário manipulado onde homens corruptos parecem vítimas.

 A cura para a nossa “Síndrome de Estocolmo” só será possível se abdicarmos do analfabetismo político para conquistarmos o protagonismo de nossa história. Precisamos fazer as escolhas certas e assim ficarmos livres daqueles que sequestram as nossas vozes, a dignidade, a honra e nos privam dos serviços essenciais de qualidade. Não podemos contentar com as falsas promessas ou com o falso poder que os opressores exibem cotidianamente. Democracia é o poder que emana do povo e deve ser exercido sempre para beneficiar o povo!

É preciso pensar estrategicamente:  Cair na tentação de amar a política econômica socialista, ou como conservadores, sermos insanos a bater palmas para o relativismo cultural dos globalistas. Isto é no mínimo insensatez. Não assinamos contrato de exclusividade e de defesa unânime de uma pessoa ou visão. Temos o direito de guardar a liberdade para criticar a oposição e, principalmente, a nossa própria visão política, sem nos tornarmos fantoches de uma instituição ou diretório.

O Brasil tem as qualificações para ser uma grande nação. Cabe-nos agora cumprir a obrigação cívica. Antes de exigir direitos, a nossa maior obrigação é a de mudarmos essa triste realidade que temos, que é a contínua fiscalização daqueles que receberam o nosso voto.

Você tem respaldo moral para fiscalizar seus candidatos? Porque caso tenha vendido o seu voto, como fará para exigir do seu representante que exerça o cargo respeitando os princípios norteadores da administração pública, como impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência? O populismo é o prenúncio do totalitarismo, e idolatrar políticos é o início da alienação em massa. Admirem, não adorem. Batam palmas, mas não matem e nem morram por ídolos frágeis, com pés de barro.


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